DIRETAS JÁ!

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sexta-feira, 13 de julho de 2012

A TEORIA DO FIO DESENCAPADO.




Certa vez um professor que tive, também cientista político, comparou o Brasil a uma sala com um vazamento de água num dos lados e vários fios desencapados no outro lado. Nesta sala, chamada Brasil, haveria pessoas dispersas pelos lugares ainda não atingidos pela água e elas tentavam se manter o mais longe possível dos fios desencapados.



Por motivos que não se sabe bem, a maioria das pessoas tinha uma postura de passividade em relação aos problemas existentes na sala. Talvez a passividade possa ser explicada pelo medo. Em dois momentos diferentes duas pessoas morreram ao tentar, heroicamente, concertas os fios desencapados.


Mas o fato é que a maioria das pessoas não tentava acabar de vez com o vazamento de água, no máximo utilizam panos, vassouras e rodos para secar o chão. Também, não pensavam em como acabar com o eminente perigo representado pelos fios desencapados. Vez por outra alguém sugeria que se tentasse isolar os fios. Mas, vinha a inevitável pergunta: como fazê-lo sem levar um choque?


Até tinha um eletricista na sala, mas ele alegava que estava sem ferramentas adequadas para realizar a tarefa. E lembrava o tempo todo que, devido ao vazamento, estava com os pés encharcados. Também havia na sala um encanador, mas este só aceitava consertar o vazamento mediante pagamento.


Havia um empreiteiro na sala que se ofereceu para recolher contribuições dos presentes para que se pagasse o encanador, mas como ele queria receber uma comissão de 35% do valor recolhido, os outros rejeitaram a proposta. Havia, ainda, a possibilidade de abandonar a sala Brasil. Mas, a porta havia sido trancada pelo lado de fora e a janela não abria, pois estava enferrujada.


O fato é que durante algum tempo até se tentou resolver os problemas da sala Brasil, mas eles eram tantos e tão complexos que as pessoas foram se acomodando. Preferiram criar formas de conviver com os problemas, ao invés de tentar resolvê-los em definitivo, pois tudo era muito difícil e demandava tempo e dinheiro.


A tentação de comparar o Brasil a esta sala é grande. Fruto de nosso passado escravocrata e do fato de termos sido colonizados preferimos viver com os problemas ao invés de tentar resolvê-los em definitivo. Ao invés de concertar os vazamentos de água e encapar e/ou embutir os fios na parede preferimos seguir encontrando formas de conviver com eles.


Acostumamo-nos a esperar tudo do estado que nos colonizou, aliás, a principal característica do colonizado é não conseguir tomar iniciativas próprias. Seguimos preferindo viver com o problema da corrupção ao invés de criar mecanismos de controle que impeçam este estado lamentável de coisas. Achamos mais fácil cassar, vez por outra, um parlamentar.


Ao invés de fazermos uma séria reforma política, preferimos remendar nosso ordenamento jurídico com coisas sem sentido como a tentativa de controlar a livre expressão do cidadão pela internet. Ao invés de proibirmos as carreatas nas campanhas eleitorais, preferimos liberá-las, torcendo para que a divina providência impeça que aconteçam as coisas que mais dia menos dia sabemos que vão acontecer.


Preferimos fazer estradas de péssima qualidade e anualmente realizarmos as tais operações “tapa buracos" a construir boas rodovias para durar anos a fio. Preferimos gastar muito dinheiro construindo presídios de segurança máxima ao invés de investirmos em educação, saúde, moradia, infraestrutura, etc.


Preferimos investir em programas assistencialistas a promover uma política de crescimento com desenvolvimento social. Seguimos distribuindo os peixes ao invés de ensinar como pescá-los. Um país que baseia seu desenvolvimento numa economia de consumo diz muito do que é.


Enfim, preferimos ficar dentro desta sala chamada brasil cercados por vazamentos de água e fios desencapados com a sensação de que a qualquer momento a água vai chegar nos fios.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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Este é o primeiro disco do Pink Floyd. Já começou assim mesmo: psicodelizado, distorcido, viajadão, cheio de efeitos! É daqueles discos para ouvir vez por outra acompanhado de algo que te dê alguma distorção mental. Aliás, o Floyd começou muito bom, esteve uma época fantástico, e terminou bom! Neste disco temos Syd Barret com Roger Waters, Rick Wright e Nicky Mason, sem David Gilmour, ainda.

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