DIRETAS JÁ!

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sexta-feira, 17 de agosto de 2012

COMO É CHATO SER CHATO!








Eu tenho, aqui mesmo no meu blog, o que chamo de a “lista do bem”. São filmes, livros, músicas, cantores, enfim, são as coisas que me fazem bem. Mas, eu tenho, também, o meu índex. É o meu “cesto de lixo” onde coloco tudo que faz com que eu acredite menos na humanidade.


Infelizmente, meu índex tem crescido bastante. E eu me peguei preocupado com o fato de me desagradar com tantas coisas que são do nosso tempo. Às vezes, eu me acho um chato que com tudo se aborrece.


Já me disseram que não tem problema em ir a um show de uma dessas bandas de pornô-forró, pois “é só para se divertir e tudo mundo gosta”. Mas, o que posso fazer se acho esse negócio de “jogar a mãozinha pro céu” e “tirar o pezinho do chão” uma grande chateação?

Outra coisa que me chateia são os modismos, que é o que se faz e se defende sem um mínimo de senso crítico. É o que você é praticamente obrigado a gostar para não ter que ser chamado de... chato. Dito de outra forma é aquilo que você tem que gostar para poder ser aceito em seu meio.


Quer um exemplo? Surge aquela cantora, que todos dizem que tem uma “voz linda”, que cantou com Roberto Carlos e que Caetano Veloso disse que é boa. Pronto! Todo mundo tem que gostar, mesmo que ela cante uma musiquinha chinfrim com sotaque de sertanejo. Nada pode ser mais chato!

Hoje em dia é moda ir às manifestações. Importa pouco se você vai para a marcha da maconha, das vagabundas, para o protesto contra a corrupção ou para a parada gay. Importa ir e depois postar fotos em uma rede social.


Nas manifestações surgem os vários tipos de chatos ditos politizados. Eu não sei o que é mais chato, se o alienado individualista de direita ou o consciente social e politicamente correto de esquerda?


Outra chatice é o tal do jantar inteligente, onde se demonstra o que se pensa saber, se bebe vinhos caros e se aprecia comida politicamente correta, além de se discutir a fome na África. Nesses jantares não pode faltar o tal do “eno-chato”, e o “ex-guerrilheiro”. Se puder ter uma socialite consciente de seu papel social e aqueles eleitores “críticos” do PT, que até aceitam que o mensalão existiu, tanto melhor. Mas, eles são todos uns chatos de galocha.


E tem que ter aquele que, na hora da sobremesa, vai levantar a bandeira do “bom combate”. Pode ser um protesto contra a poluição - todos irão de bicicleta para o trabalho. Uma chatice só!


Mas, para mim, o pai de todos os chatos é aquele que vive discursando contra a política. É o “analfabeto político” que Bertolt Brecht, que não era chato, tanto falava. O chato apolítico faz discursos enfurecidos contra a política. Ele esquece, ou desconhece, que a dimensão política existe de fato. Que a política não se restringe as coisas dos partidos, do Congresso ou da eleição. O chato apolítico desconhece que a política é um instrumento que nós, seres humanos, criamos para poder nos relacionar sem ter que nos agredir o tempo todo.


Mas, nós temos os chatos politizados. Além do “ecologista de gabinete” e do “esquerdista pós-neoliberalismo”, existe o “moderno reacionário”, que quer ser novo conservando velharias.


Rafinha Bastos disse que “para a mulher feia o estupro é uma benção”. Já o teólogo Luiz Felipe Pondé disse que “a mulher enruga se não tiver um homem que a trate como objeto”. Qual a diferença deles para Paulo “estupra, mas não mata” Maluf? São todos reacionários, sendo que Rafinha e Pondé são modernos.







E o que dizer da deputada e ex-atriz Myriam Rios que fala de sexualidade como se estivesse na alta Idade Média? E o guru do obscurantismo nacional, o inquisidor-mor Jair Bolsonaro, racista e homofóbico a defender os “direitos da família brasileira”? São todos chatérrimos!


Marcelo Semer definiu essa gente como os “quixotes sem utopias, denunciando quem contesta seu direito de propagar preconceitos”. Sob a fajuta justificativa que as pessoas tem que ser retiradas de suas zonas de conforto, agridem os que defendem valores como liberdade e igualdade.


Veja-se que nas eleições passadas o Estado laico foi destronado em nome de interesses obscuros por modernos reacionários. A caixa de Pandora da intolerância foi aberta. Espero que ela não seja reaberta nestas eleições.


Aliás, não tem coisa mais chata do que candidato prometendo as coisas mais mirabolantes do mundo, dizendo que vai reinventar a roda e que vai “moralizar a administração pública”.


Pois é, não tem jeito, eu sigo desgostando dessa chatice toda. Já me senti culpado, ficando deslocado, por não gostar de algo que todos gostam. Aliás, fazer uma coluna falando dessas coisas é uma grande chatice!








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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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Este é o primeiro disco do Pink Floyd. Já começou assim mesmo: psicodelizado, distorcido, viajadão, cheio de efeitos! É daqueles discos para ouvir vez por outra acompanhado de algo que te dê alguma distorção mental. Aliás, o Floyd começou muito bom, esteve uma época fantástico, e terminou bom! Neste disco temos Syd Barret com Roger Waters, Rick Wright e Nicky Mason, sem David Gilmour, ainda.

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