Estamos todos felizes porque o Botafogo de João Pessoa sagrou-se
campeão da Série D do Campeonato Brasileiro, apesar de que a conquista não é de
todo os paraibanos, como alguns querem crer. Este título pertence ao time do
Botafogo e, claro, a sua torcida. Mas, fatos ocorridos após o jogo do “belo” me
forçam retomar um tema que chama atenção quando a relação, pouco republicana, entre
governos estaduais e municipais e times de futebol fica evidente.
Mal o juiz apitou o
fim do jogo e o prefeito de João Pessoa, Luciano Cartaxo, já estava no Twitter
afirmando que “graças ao dinheiro que o poder público municipal investiu, o
Botafogo se tornou campeão”. O governador Ricardo Coutinho entrou,
literalmente, em campo para entregar a taça ao campeão. O prefeito não gostou
nem um pouco, pois a lógica, torta, diga-se de passagem, é que entrega a taça
quem paga mais.
Daí em diante foi uma
lambança generalizada. O prefeito e o governador passaram a disputar raivosamente
quem iria ficar mais tempo ao lado do time campeão. Na segunda a disputa era
para ver quem iria promover o maior regabofe para o Botafogo. Foi ridículo. Foi
patético. Dois gestores públicos abandonaram suas funções para se portarem como
tietes de um time de futebol. Claro, o que eles queriam era transformar a
vitória do “Belo” em capital eleitoral para si mesmos.
A prefeitura de João Pessoa investiu quase R$ 1 milhão no Botafogo.
O cidadão/eleitor da capital teve que bancar a farra não importando se torce
pelo “belo”, pelo Auto Esporte ou mesmo se gosta ou não de futebol. Assim,
perguntar é preciso: é justo isso? Já se disse que o governador não poderia ter
roubado a cena do prefeito, pois foi o erário municipal quem bancou o Botafogo.
Mas, a questão não é essa. Ricardo e Luciano devem, sim, comemorar a vitória,
mas porque tem que ser às custas dos impostos pagos pelo
cidadão/torcedor/eleitor de João Pessoa?
Aqui em Campina Grande as coisas não são diferentes, na verdade são
até mais graves. Quando foi prefeito, Veneziano Vital assinou contratos para
que a Prefeitura Municipal patrocinasse o Campinense Clube e o Treze Futebol
Clube. Em troca os dois times colocariam a logomarca da prefeitura em suas
camisas. Na época, a PMCG repassaria 30 mil reais mensais para cada um dos
times, por um prazo de 10 meses. No final do contrato, os times teriam recebido
a quantia de R$ 600 mil. Mas, Veneziano não honrou os contratos e suspendeu os
repasses para Campinense e Treze. Quando Romero Rodrigues assumiu a gestão
municipal não só aceitou pagar a dívida, deixada pelo seu antecessor, como
ainda celebrou novos contratos.
Hoje, Campinense e Treze
seguem regiamente recebendo essas tais cotas de patrocínio, pois é inegável sua
eficiente em termo de divulgação, principalmente em ano eleitoral. O fato é que
os gestores dão dinheiro para os times para angariar simpatias, além de votos. E
se o gestor for torcedor do time aí junta-se o útil ao agradável. Luciano
Cartaxo é fervoroso torcedor do Botafogo. Mas, como se justifica que Campinense
e Treze, com suas grandes torcidas, precisem de dinheiro público? Porque eles não
são autossuficientes?
Porque a prefeitura tem que financiar esses times
se eles têm suas torcidas que pagam ingressos para vê-los jogar? Porque a PMCG
deve entregar milhares de reais para Campinense e Treze, quando sua obrigação é
investir mais e melhor em atividades esportivas nas escolas da rede pública municipal?
Sempre se dirá que a PMCG incentiva o desenvolvimento econômico da cidade ao
patrocinar os times locais e que nos contratos assinados existem termos que preveem
a adoção de políticas de incentivo à prática de esportes para jovens carentes.
Também, se
dirá que a PMCG investe nos times de futebol porque seus torcedores, eleitores
nunca esqueçamos, assim o querem. Mas, se o poder público desistisse de
patrocinar Campinense e Treze eles deixariam de existir, fechariam as portas? O
que quero ponderar é se o poder público deve financiar times de futebol que
nunca prestam contas de suas movimentações financeiras de forma pública, que
sempre recebem estas “ajudas”, mas que estam sempre em situação falimentar? Se os
governos querem mesmo ajudar os times de futebol, porque não fazem obras para
dotar a cidade de infraestrutura eficiente que a torne atrativa para times de
todo o Brasil que queiram vir aqui disputar jogos?
Se os
governantes querem de verdade ajudar os times que tanto amam, porque não
melhoram as vias de acesso para o Estádio “Amigão”? Porque não dotar a cidade
de um sistema de transporte público que funcione de forma eficiente nos dias de
jogos? Sabemos que estam sendo feitas obras dentro e fora do Estádio “Amigão”. Então,
temos mais um motivo para não dar dinheiro para os times, pois as obras não
podem e não devem parar.
Eu sou um
raposeiro de quatro costados, mas não quero ver meu time recebendo dinheiro que
é fruto dos impostos que pago. Até porque eu sei bem que raramente, ou nunca,
ele presta contas de como se utiliza desse dinheiro.
AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.
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