quinta-feira, 5 de junho de 2014

EU NÃO SEI O QUE QUERO, SÓ SEI DO QUE NÃO GOSTO.


O Instituto de Pesquisas norte-americano Pew Research Center descobriu que os brasileiros estam tão insatisfeitos com a vida que levam quanto os povos de países que enfrentam as consequências da chamada “primavera árabe”. O instituto americano aferiu que o humor do brasileiro anda péssimo por causa dos problemas na economia, com inflação em alta e PIB em baixa, das frustrações com os políticos e governantes, além de uma série de problemas sociais. A brasileira Juliana Horowitz, uma das responsáveis pela pesquisa, afirmou que a percepção do brasileiro em relação à situação do País, à conjuntura econômica e ao governo Dilma se deteriorou de maneira acentuada em apenas um ano.

Horowitz diz que desde que as pessoas tomaram as ruas, para protestar contra a corrupção e a má-qualidade dos serviços públicos, que a insatisfação só aumentou. Diz ela que “é muito raro uma mudança de humor em um espaço de tempo tão curto”. A pesquisa do Instituto Pew Research é inédita. É que ele fez um levantamento em 82 países, entre 2010 e 2014, para aferir exatamente os humores das populações em relação a coisas como economia e política. A pesquisa viu oscilações acentuadas em lugares, como o Egito, que enfrentam crises ou rupturas institucionais. O levantamento mostra que os brasileiros estam com um elevado nível de frustração em relação ao seu governo e a sua economia.

Na apresentação da pesquisa pode-se ler que o descrédito dos brasileiros para com seus líderes é algo que não tem paralelo em nossa história republicana. O aumento da inflação é o que mais influenciou o descrédito do brasileiro. Pudera. Inflação corrói salários e, como se sabe, mais da metade da população brasileira é assalariada. Nada mais tem o poder de acabar com o humor do brasileiro do que aquela sensação de que o salário encolheu e os preços dispararam. Claro, toda sorte de insatisfações com a realização da Copa da FIFA, no Brasil, também contribuem para esse estado de coisas. 61% dos entrevistados disseram que a Copa prejudica o País, pois retira recursos que poderiam ser usados em serviços públicos.

A situação é grave. Em 2010 esse percentual era de 49%. Em 2013, 55% dos brasileiros concordavam que é ruim ser país sede da Copa. O fato é que nosso cidadão despertou de uma vez para o quanto estamos sendo prejudicado com essa Copa dos Horrores. Sobre a situação econômica, 67% dos entrevistados a classificaram como ruim. A inflação foi apontada como o principal problema brasileiro por 85% dos entrevistados. Ao se cruzar os dados se vê que os que criticam a Copa são os mesmos que se preocupam com a inflação. 72% dos brasileiros disseram que a falta de oportunidades de trabalho é o maior problema do Brasil, mesmo que estejamos apresentando índices historicamente baixos neste quesito. O fato é que não temos oportunidades por que não nos desenvolvemos.


A frustração com a situação econômica e com os baixos índices de desenvolvimento que apresentamos fez a avaliação da gestão Dilma cair. A maioria dos entrevistados afirmou que o governo não enfrenta os problemas-chave da nação.  Para 86%, o governo é inepto no combate à corrupção. Já para 85% o governo tem péssima performance no tocante à assistência médica. A administração da economia, i.e., o trabalho do Ministro Guido Mantega, é reprovada por 63% dos entrevistados. Sobre o tipo de influência que Dilma tem sobre o país, os brasileiros estam divididos. 52% afirmaram que essa influência é negativa e 48% que ela é positiva. Em 2010, essa avaliação sobre Lula era bem diferente. 84% diziam que Lula tinha influência positiva sobre o Brasil.

Mas, é bom lembrar que Lula não administrava sob o signo das manifestações, dos desmandos da Copa e do agravamento da crise econômica. Pelo contrário, Lula era tido como o presidente dos programas sociais, em que pese o mensalão, claro. O Pew Research não se negou a buscar informações eleitorais. Foi aqui que Dilma conseguiu os resultados mais positivos, mesmo que apenas em comparação aos seus adversários. 51% disseram ter uma opinião favorável da presidente e 49% optaram pelo desfavorável.  No caso de Aécio Neves, a visão desfavorável alcançou 53% e a favorável 27%. Sobre Eduardo Campos 47% foi desfavorável e 24% favorável.  Em que pese os problemas elencados e a relação deles com o governo, Dilma segue na frente nas pesquisas eleitorais.

Essa é a contradição que o Pew Research não quis ou não pode explorar. O brasileiro avaliou o governo de forma negativa e disse que ele é inepto. Em alguns setores da vida brasileira, os entrevistados disseram que o governo tem péssima performance. No entanto, todas as pesquisas eleitorais trazem Dilma sempre em primeiro lugar. A última rodada feita pelo Datafolha mostrou, inclusive, um crescimento de Dilma numa perspectiva até de apontar para não haver o 2º turno. Reparem o gritante paradoxo. O governo não é bem avaliado, mas Dilma segue em primeiro lugar. O brasileiro quer mudanças, mas não está convencido que a oposição é capaz de implementá-las. Esse é o dilema a ser enfrentados nas eleições. O fato é que o brasileiro até identifica o que lhe desagrada, o problema é que ele não sabe bem o quer.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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