terça-feira, 24 de junho de 2014

FIDELIX, O NANICO DO AEROTREM.


No Brasil, eleição majoritária que se prese tem que ter candidatos nanicos. Sem eles a eleição fica monótona. Quem não lembra do histriônico Enéas que em apenas 16 segundos dizia o que muitos não dizem em 10 minutos. Nas eleições presidenciais desse ano deveremos ter algo em torno de oito candidatos nanicos. Com essa COLUNA, inauguro uma série onde analisarei algumas dessas postulações considerando que o papel delas não é chegar ao 2º turno. Um dos nanicos é Levy Fidelix, do PRTB. Como a maioria dos nanicos, Fidelix só tem uma proposta. Seu mote é o "aerotrem", um veiculo de superfície que resolveria todos os problemas de mobilidade urbana do País.

Ter uma única proposta descompromete quem não pensa em vencer de muitas responsabilidades. Fidelix é um otimista. Esta será a 13ª vez que ele enfrentará as urnas. Em 2010 ele foi candidato a presidente e teve exatos 57.960 votos, ficando em 7º lugar. Fidelix parece gostar de ser nanico. Ele já foi candidato a todos os cargos que temos - de vereador a senador da República e de prefeito a presidente. Em todas as eleições majoritárias que disputou ele nunca teve mais do que 1% dos votos válidos. Levy Fidelix é adepto das teorias conspiratórias. Ele diz que seus fracos desempenhos se devem a um complô que faz com ele seja roubado nas urnas e nas pesquisas. Ele se vê perseguido pela imprensa e acha que muitos políticos se apropriam de suas ideias.

É por isso que ele personaliza suas propostas no “aerotrem”. Tendo uma única proposta, fica mais fácil de comprovar que ela é exclusiva de sua candidatura, mesmo que saibamos que a questão da mobilidade urbana será tema central nas eleições. Fidelix deve ser um dos poucos candidatos desta eleição com um perfil ideológico bem definido. Ele é um homem de direita. Inclusive, ele deve contar com o apoio do Partido Militar Brasileiro (PMB), que ainda não tem o registro junto ao TSE. Em entrevistas, ele tem dito que vai encampar bandeiras "da direita". Fidelix repete sempre que será, nas eleições, o verdadeiro e único candidato da direita. Uma de suas frases de efeito é: “Eu vou endireitar o Brasil e combater a presidente Dilma Rousseff".

Para que não restem dúvidas sobre seu posicionamento político-ideológico, Fidelix promete defender, no seu guia eleitoral, o movimento civil-militar de 1964, que instalou uma ditadura no Brasil por longos 21 anos. O candidato do PRTB nem acha que tivemos um golpe e uma ditadura. Para ele, o movimento de 1964 foi uma revolução e o período, dos governos militares, foi o melhor momento que tivemos em termos de desenvolvimento econômico. Se apresentar como o único candidato de e da direita, defendendo coisas como a “revolução de 1964” é, também, uma estratégia de campanha. Fidelix deve ter percebido o crescimento das ideias conservadoras em vários setores da sociedade.

Ele assistiu as manifestações, em março desse ano, a favor do golpe civil-militar e deve ter percebido que ali haveria um filão de votos a serem explorados. Ao dizer que vai endireitar o Brasil, Fidelix está falando para esse perfil do eleitorado brasileiro. Quando Fidelix diz que vai combater Dilma Rousseff está mirando aquela raivosa faixa do eleitorado de São Paulo que acha que xingar a presidente, num evento como a abertura da Copa da FIFA, é solução para alguma coisa. Mas, Fidelix e seu partido também têm aquele lado pragmático e fisiológico da política brasileira. Eles acham que o discurso conservador contribuirá para que elejam pelo menos dez deputados federais. Atualmente, o PRTB conta com apenas dois deputados.


 Fidelix diz que, com ao menos 10 deputados, será possível barganhar um ministério no próximo governo, seja qual for o presidente. Ele apenas não explica como fará para conduzir essa barganha caso Dilma Rousseff, que ele tanto combate, seja reeleita. Levy não foge a vala comum de afirmar que o principal problema na política é a corrupção dos grandes partidos. Inclusive, ele participou do movimento “cansei”, em julho de 2007, que a classe média alta de São Paulo (a mesma que xingou a presidente Dilma) organizou contra a corrupção. Fidelix já se cansou da corrupção, mas não vê problema alguma que corruptos contumazes pertençam ao seu partido. Fichas-sujas de grande porte como o ex-senador Luiz Estêvão e o ex-governador do Distrito Federal Joaquim Roriz são filiados ao PRTB.

Fidelix tem muito amor próprio. Como Pelé, ele se refere a si mesmo como se fosse alguém superior. Ele diz coisas como: “O anel viário em São Paulo foi ideia do Levy Fidelix em 1994” ou “O Levy Fidelix é quem mais contribui com ideias para este país”. Uma expressão que revela a megalomania de Fidelix é: “Marco Polo não inventou a pólvora, ele a trouxe da China para o mundo ocidental. Eu não inventei o aerotrem, eu apenas trouxe a ideia do exterior para o Brasil”. Fidelix se diz afinado as ideias de centro-direita, inclusive ele acredita bastante no lema ordem e progresso. Assim, caro ouvinte, se prepare, pois se ele for eleito presidente da República, em outubro, teremos uma nova proclamação da República.
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