terça-feira, 24 de dezembro de 2013

MUITO CANDIDATO PARA POUCO PALANQUE.


Acontece sempre do mesmo jeito, apesar de que dessa vez aconteceu bem mais cedo. A cada eleição majoritária políticos lançam suas pré-candidaturas na esperança de, não podendo ser aceitos, ganharem algo e eu não estou falando apenas de votos. Quem não se lembra das últimas eleições em Campina Grande. Entre os meses de março e maio de 2012 chegamos a ter treze candidaturas. Algumas não reuniam chances mínimas para pleitear sequer o cargo de vereador, quanto mais o de prefeito.

Em outras eleições os políticos esperavam, ao menos, que o carnaval do ano eleitoral terminasse para se lançarem candidatos. Agora, mal terminamos 2013, e já temos algo em torno de cinco ou seis pré-candidaturas assumidas ou pré-assumidas. É bom lembrar que a candidatura do governador Ricardo Coutinho é a exceção, pois ele não precisa pedir a ninguém para postular seu segundo mandato. Na verdade, está é a única candidatura certa que temos no momento. Eu disse no momento, não no futuro.

O modus operandis dos partidos políticos é sempre o de colocar um nome a disposição dos aliados para abrir as negociações. Inclusive, já conhecemos bem o procedimento. Não há muitos mistérios, mas existem algumas regras que poucos ousam desobedecer. Uma liderança lança o nome de um político e este se faz de rogado no começo para depois dizer que aceita com muita honra a indicação. Em geral, o político diz que não tem a vaidade de ser candidato, mas que aceita o desafio em nome do partido.

Alguns gostam de dizer que aceitaram a missão depois de ouvir a família, os amigos e os aliados. E ainda tem aqueles que gostam de se vitimizar. Dizem que estam fazendo um grande sacrifício em nome do partido, do povo, da sociedade e blá- blá, blá- blá, blá- blá. Lembro-me da ex-senadora Heloísa Helena fazendo um discurso piegas de como estava sendo sacrificada por ser candidata a presidente da República. Como se lhe tivessem imposto a postulação. Esse é um discurso útil aos que sabem que vão perder.

Neste jogo, quem realmente é candidato não se lança com antecedência. Os que possuem lastro não se apressam, se resguardam, pois sabem que quanto mais cedo de lançarem, mais ataques receberão. Já os que sabem que não vão ganhar, ou que não podem ser candidatos, precisam largar antes de todos. São os que têm que buscar um lugar na mesa das negociações, pois necessitam estar no lugar e no momento certo para ver que cargos podem amealhar.


O lançamento precoce de uma candidatura é, em geral, uma forma de exercer pressão sobre os atores e partidos políticos relevantes do jogo. Claro, muitos se lançam candidatos para serem adulados e assim desistirem da disputa. Nesse jogo, quem abre mão da peleja não sai de mãos abanando. Sempre dá para barganhar cargos e espaços no processo eleitoral. Todos sabemos que, aqui em Campina Grande, pré-candidaturas foram desfeitas mediante pagamento de vultosas somas.

Vejamos o caso do deputado federal Leonardo Gadelha. Seu partido, o PSC, lançou seu nome como uma alternativa para o Blocão participar da disputa ao governo da Paraíba. Mas, ele foi logo dizendo que aceita compor uma chapa na condição de vice-governador. A sinceridade do deputado revela o pragmatismo do seu ato. Ao se lançar, considerando que o Blocão tem outros pré-candidatos, ele mira na possibilidade de ser o vice de um nome com reais chances de concorrer. Um nome do PMDB, como se espera.

O PT lançou Nadja Palitot para pressionar os aliados do Blocão para que se definam. Mas, o PT quer mesmo é barganhar as vagas para o senado e para vice-governador, pois sabe que não pode ter candidatura própria para não desarmar o palanque paraibano de Dilma Rousseff antes mesmo que ele seja montado. O PP fala em lançar a candidatura do Ministro Aguinaldo Ribeiro. Ele mesmo já cogitou a possibilidade, mas não se fez convencer. O que Aguinaldo quer mesmo é cuidar de sua permanência no Ministério das Cidades e isso passa pela reeleição de Dilma.

O PMDB segue com a pré-candidatura de Veneziano Vital. Das duas uma. Ou ela foi posta na mesa como uma carta para se descartar ou o PMDB vai tentar impor o ex-prefeito de Campina Grande aos seus aliados contando com o silêncio do PT nacional. Uma atitude kamikaze que não combina com o pragmatismo do PMDB. Mas, esse é um jogo de múltiplas alternativas. O PMDB sabe que pode contar com a alternativa José Maranhão. Inclusive, ele tem insistido que é candidato a deputado federal para ajudar seu partido. Mas, e se insistirem para que reveja sua decisão?

Eu não me surpreenderia se lá para depois do carnaval o PMDB se entender com seus aliados do Blocão e eles definirem uma chapa com Maranhão candidato a governador, tendo um petista como vice e alguém do PSC para o senado, ou o contrário. Mas, ainda temos que considerar uma pré-candidatura que paira acima das vontades e dos humores políticos paraibanos. Eu falo da possibilidade, remota por enquanto, do Senador Cássio Cunha Lima decidir ser candidato a governador. Mas, isso já é assunto para depois do Natal.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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