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segunda-feira, 28 de julho de 2014

EYMAEL - NANICO POR CONVICÇÃO.

Já se disse por aí que as candidaturas nanicas são enigmas numa eleição e que podem até surpreender. Apesar de que, até hoje, o único nanico que abalou as estruturas do nosso sistema eleitoral foi Enéas Carneiro do extinto PRONA. Enéas foi candidato pela primeira vez em 1989. Seu tempo no guia eleitoral era de dezessete segundos. Com uma fala rápida, estridente, e uma aparência exótica, Enéas passava sua mensagem inflamada, ultranacionalista, beirando ao fascismo. Um ilustre desconhecido, que terminava sua fala com o bordão “meu nome é Enéas”, teve quase 400 mil votos numa única eleição. Mas, nos dias de hoje, nanicos não nos alarmam mais. O máximo que fazem é ajudar a levar a eleição para o 2º turno.

A pesquisa do Datafolha, da semana passada, mostrou que as candidaturas nanicas somam 5 pontos percentuais. Considerando que Dilma tem 36% e que todos os outros candidatos empatam com ela, os nanicos estam tendo papel relevante neste momento. Não fossem estes 5%, dos pigmeus da eleição presidencial, as chances de Dilma se eleger, já no 1º turno, aumentariam consideravelmente. Por isso mesmo, Aécio Neves deve cortejar a nanicada, pois cada 1 ponto percentual pode fazer a diferença. Mas, nas 3 últimas eleições os candidatos nanicos tiveram votação inferior a 3%. Em 2010, Dilma teve 46.91% dos votos no 1º turno. Os nanicos somados tiveram 1.15%. Ou seja, eles não influíram no processo. Funcionaram como o que de fato são – nanicos.

Uma candidatura nanica que já se tornou conhecida do eleitorado brasileiro é a de José Maria Eymael, do Partido Social Democrata Cristão. Assim como as candidaturas de Levy Fidelix, do PRTB, e de José Maria, do PSTU, ela tem forte viés ideológico. É que as pequenas candidaturas, que não são viáveis do ponto de vista eleitoral, podem se dar ao luxo de conservarem seus ideias, de direita ou de esquerda, não importa, ao contrário das grandes candidaturas contaminadas pelo fisiologismo pouco republicano. José Maria Eymael se auto intitula um democrata-cristão. Em vários países europeus a democracia cristã é uma sólida ideologia. Seus partidos são respeitados e governam há muito tempo. No Brasil, o cristianismo é forte e hegemônico. Já a democracia...


Eymael é um nanico de longa data. Sua primeira aventura nas urnas foi em 1985 quando se candidatou a prefeito de São Paulo, ficando em último lugar. Foi nessa eleição que ele adotou o jingle, que até hoje usa, “Ey, Ey. Eymael, um democrata cristão". Em 1986 ele se elegeu deputado federal constituinte. Em 1990 se reelegeu com os votos dos setores cristãos mais conservadores da sociedade paulista. Em 1992 ele tentou, mais uma vez, a prefeitura de São Paulo e, mais uma vez, sofreu fragorosa derrota. Se em eleições proporcionais, Eymael foi sempre bem sucedido, nas majoritárias nunca teve bons desempenhos. E, já é de se perguntar, por que é que ele insiste em eleições presidenciais? Eymael foi candidato à presidência da República em 1998, 2006 e 2010.

Em todas, e neste ano não será diferente, Eymael resume seu discurso, e baseia suas propostas, num compromisso com a família, com a defesa de seus valores e no atendimento pleno de suas necessidades. Eymael só não fala mesmo em é democracia. Na eleição de 1998, Eymael ficou em 9º lugar, entre 12 candidatos, com 171.831 votos. Em 2006, tivemos 08 candidatos. Eymael só conseguiu ficar em 6º lugar com 63.294 votos, menos da metade da eleição de 1998. Já em 2010, as coisas foram um pouco melhor, mas nada que desse estatura ao nanismo de Eymael. Para um total de 09 candidatos, Eymael ficou em 5º lugar e obteve exatos 89.350 votos. E em 2014? O que deve Eymael esperar das urnas?


Eu suponho que ele deve esperar mais do mesmo, ou melhor, menos do mesmo. É que este ano são sete candidaturas nanicas. E, dentre elas, Levy Fidelix e Pastor Everaldo possuem o mesmo perfil conservador, cristão, de direita a lhe fazer concorrência direta. Uma coisa comum às candidaturas nanicas é o conservadorismo de ideias e dos programas políticos que apresentam, além da forma arcaica de se fazer campanha. O PSDC de Eymael vem desde a muito se apresentando sempre da mesma maneira. Este partido concorreu às eleições de 2006 com 25 candidatos a governador de Estado e 17 candidatos ao Senado Federal. Na época, apresentou um projeto político intitulado "Transformar o Estado de senhor em servidor".

O caro ouvinte quer saber quantos desses candidatos se elegeram? Nenhum! Seria de se esperar que em 2010, o PSDC viesse renovado no discurso e na forma. Mas, não veio, pelo contrário, o programa, as ideias e até o jingle de campanha eram os mesmos. Eymael tem afirmado que as redes sociais reduziram a importância da TV na eleição, mas não diz como pretende utilizá-las. Como todo candidato nanico, Eymael tem lá suas megalomanias. Ele afirma que chegará ao 2º turno contra Dilma ou Aécio Neves. O seu discurso é uma mistura de preceitos políticos e de ensinamentos do Evangelho, recheado de promessas e de propostas pouco interessantes. Nisso tudo, Eymael não é diferente dos outros nanicos, muito menos dos gigantes da política eleitoral.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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