quarta-feira, 2 de julho de 2014

QUEM GANHA E QUEM PERDE NO BACANAL ELEITORAL – Parte I

Ontem, eu tratei do que venho chamando do princípio Luizito Suárez. É que na política paraibana está valendo tudo, até morder. Suárez, para quem não sabe, é aquele jogador da Seleção do Uruguai que habitualmente morde, literalmente, seus adversários. Na política partidária eleitoral paraibana não tem sido diferente. Está valendo tudo, até praticar atos pouco republicanos às claras, despudoramente. A política partidária chegou à idade das trevas. Ela não amadureceu, pior, parece ter apodrecido de vez. Depois do “bacanal eleitoral” dos últimos dias parece que, finalmente, temos decisões em condição de serem analisadas. Mas, é preciso lembrar que ainda poderemos ter algumas mudanças. Certo, o prazo das convenções se encerrou no final da 2ª feira.

Mas, os partidos têm até às 19 horas do próximo dia 05, como determina a Lei das Eleições, para enviar as atas das convenções para a Justiça Eleitoral. Esse é o procedimento que registra as candidaturas e as coligações junto ao TRE. Aqui, ocorre uma sutil astúcia dos partidos políticos. É que eles podem mudar algumas decisões entre o fim das convenções e a elaboração da versão final da ata que será encaminhada ao TRE no próximo dia 05 de julho. Mesmo sem ter acesso ao teor final das atas, sabemos que iremos para o processo eleitoral majoritário com algo em torno de seis chapas. A que primeiro se configurou foi a do senador Cássio Cunha Lima que traz o deputado federal Ruy Carneiro como vice.

Cássio será candidato a governador, mesmo que ainda tenha que lidar com a questão da inelegibilidade. Sendo senador da República, poderá disputar a eleição sabendo que ocupará sua cadeira no Congresso Nacional, por mais 4 anos, caso não ganhe a eleição. Isso faz toda a diferença num processo eleitoral. Quando o político entra numa disputa sabendo que não terá um cargo para ocupar, caso perca, seu comportamento muda. Tudo se torna mais sensível para ele. A eleição vira um caso de vida ou morte. Cássio Cunha Lima, e seu vice Ruy Carneiro, pertencem ao PSDB, i.e., eles formam uma chapa puro sangue. Se o objetivo dos partidos, aos se juntarem, é a soma dos preciosos minutos para o guia eleitoral, uma chapa puro sangue não agregaria este valor.


Esse deve ter sido o arranjo útil para falta de um partido com capital eleitoral avantajado que ocupasse a vice-governadoria. Mas, a chapa é, também, composta pelo PTB que indicou seu presidente estadual, Wilson Santiago, como candidato ao senador. A coligação do PSDB apresenta partidos e nomes de peso. O PEN indicou Luciano Agra como suplente de senador. O PR, do deputado Wellington Roberto, o PSC, de Marcondes Gadelha, e o PP do deputado Aguinaldo Ribeiro entraram na composição. Aliás, essa foi a maior demonstração de força do PSDB e do Senador Cássio. Eles conseguiram compor uma coligação com nada mais nada menos do que 15 partidos. Isso lhes garantirá um excelente tempo na propaganda eleitoral.

Claro, administrar tantos interesses, de tantos partidos, não será tarefa fácil mesmo em se tratando do experiente senador Cássio. Ao longo da campanha, as arestas a serem administradas serão das mais variadas. Vejam que o ex-ministro Aguinaldo Ribeiro afirmou que seu partido não vai deixar de apoiar a candidatura de Dilma, do PT, em nível nacional, mesmo que, na Paraíba, esteja coligado com a candidatura que apoio a postulação de Aécio Neves. No entanto, isso não é, nunca foi, um problema na cabeça dos políticos. Pode até ser que seja na cabeça do eleitor, mas e daí? Não me consta que essa promiscuidade politico-eleitoral tenha impedido que um político desses pudesse ser eleito.

Cássio foi hábil em trazer Rômulo Gouveia de volta ao seio da família Cunha Lima, em que pese sempre ter parecido que ele nunca havia saído. Rômulo se desgastou por não ter viabilizado sua postulação ao senado. Deverá ser candidato à Câmara Federal. Outro que sai fragilizado do processo é o ex-prefeito Veneziano Vital. Depois de posar de pré-candidato ao governo por mais de um ano, ele viu seu próprio partido lhe retirar sua postulação. Sobrou-lhe, tão somente, a candidatura à Câmara Federal. Restou-lhe buscar a cadeira que hoje pertence a sua mãe, a deputada Nilda Gondim. Esta eleição é vital para Veneziano, pois ele já está a quase dois anos sem ocupar um cargo que, como sabemos, é o próprio oxigênio dos políticos.
 
Sai penalizado desse processo o senador Cícero Lucena, que teve que dispor de sua recondução ao senado, para que o PSDB ampliasse seu arco de alianças. O processo deve ter sido doloroso, vejam o silêncio ensurdecedor de Cícero nos últimos dias. O PSOL lançou Tárcio Teixeira candidato ao governo, enquanto que o PSTU apresentou Antônio Radical. Mas, ambos ainda não possuem um vice, pois um espera pelo outro. Tárcio quer que Radical seja seu vice, sendo a recíproca verdadeira. Hoje, eu iniciei a análise do menu eleitoral que por ora nos é apresentado. Amanhã eu continuarei analisando o atual cenário político eleitoral da Paraíba, considerando que ainda poderemos ter algumas redefinições e mesmo algumas surpresas.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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