segunda-feira, 7 de julho de 2014

NESTE FAROESTE NÃO EXISTEM MOCINHOS


Em 1966 foi lançado o melhor dos clássicos do faroeste. Dirigido por Sergio Leone, o Pelé do “western spaghetti”, e com música de Enio Morricone, “The Good, The Bad and The Ugly”, ou “O Bom, o Mau e o Feio”, fala de ambição, egoísmo e luta pelo poder. Na história, que no Brasil ganhou o título de “Três homens em conflito”, Clint Eastwood faz o papel do Bom, Lee Van Cleef faz o Mau e Elli Wallach, que morreu alguns dias atrás, faz o Feio. Na verdade, eles não são bons, maus ou feios, eles são normais. Estes três homens são fieis ao tempo em que vivem, onde a guerra da Secessão devasta os EUA. Eles correm atrás de um tesouro escondido, onde cada um deles conhece apenas uma parte da sua localização, por isso precisam ser unir.

O problema é que nenhum deles está disposto a dividir o tesouro que vão encontrar. Cada um só pensa em encontrar o tesouro e numa forma de se livrar de seus dois aliados de ocasião. Por causa de seus interesses, eles se juntam e se separam ao longo do filme. Ontem, não tinha Copa do Mundo e eu estava enfastiado das notícias da política partidária eleitoral da pequena e heroica Paraíba. É que, às vezes, até o analista se cansa do rame-rame partidário, apesar de que a política segue sendo algo fascinante. Resolvi, então, assistir, pela 38º vez, ao duelo dos três homens em conflito. Mas, não teve jeito, terminei relacionando o filme com fatos que há tantos dias estamos acompanhando, até porque estava mesmo procurando assunto para esta Coluna.

Aqui, na Paraíba atores e partidos políticos estam em conflito, assim como o “O Bom, o Mau e o Feio”. Assim como no filme, no faroeste da política paraibana não existem mocinhos. Aqui, até que se prove o contrário, todos são feios, todos são vilões. No bacanal eleitoral dos últimos dias vemos os aliados/adversários de ontem num disputa de vida e morte com adversários/aliados de hoje. Assim como no filme, os atores políticos só pensam em eliminar adversários e encontrar um tesouro. Mas, o tesouro dos atores políticos não tem moedas de ouro. Para eles este erário tem que ter partidos aliados, tempo na propaganda eleitoral, recursos de campanha e, claro, muitos votos. No momento, o que vemos são adversário-aliados sendo abatidos.

O prazo para a realização das convenções partidárias se findou no último dia 30. Até sábado, os partidos tinha que encaminhar ao TRE as atas das convenções e as solicitações para o registro das candidaturas. Mas, ainda não temos reais definições sobre algumas das candidaturas e coligações porque, para variar, o processo já está sendo judicializado. Mais uma vez, teremos um processo eleitoral tumultuado, recheado de incertezas. Como não poderia deixar de ser, a problemática do momento passa pelo PT, com sua extrema capacidade de tornar complexo o que poderia ser simples e objetivo, e pelo PMDB, com seu fisiologismo em adiantado estado de putrefação.


PSDB e PSB, para citar alguns, agem no limite entre o formalismo institucional e os informalismos pouco republicanos de toda sorte. Hoje, na Paraíba, nenhum partido ganharia o papel do Bom. A disputa é para ver quem ficaria com os papéis do Mau e do Feio. O PT estadual resolveu passar ao largo de uma diretriz do seu Diretório Nacional. Como se sabe, PT e PMDB compõe uma aliança em nível federal. O PMDB, por ser governista por definição, e o PT, por ter se encantado pelo governismo de coalização. O PT da Paraíba resolveu levar ao extremo as divergências com o PMDB e foi se aliar com o PSB do governador Ricardo Coutinho. Deu-se a confusão. A questão central não é por que o PMDB está preocupado em garantir um palanque para a chapa Dilma/Michel.


O PMDB está preocupado com a eleição proporcional, pois sem o PT as chances de eleger boa quantidade de deputados estaduais e federais se reduziriam ao extremo. O X da questão é que o PMDB precisa atender aos interesses paroquiais de seus caciques. Já o Y questão é que o PT esta antecipando, na Paraíba, o que deve vir a acontecer no 2º turno quando, em nível nacional, o PSB de Eduardo Campos deve ir alegremente apoiar a reeleição de Dilma, posto que Lula e Eduardo nunca estiveram tão próximos. Pelo andar da carruagem, PT, PSB e PMDB estarão juntos no 2º turno, mas o PMDB tinha, e tem, uma questão premente a resolver, daí todo esse imbróglio que levou o PT nacional a, mais uma vez, intervir nas decisões do PT estadual.


Os petistas já estavam se sentido confortáveis ao lado do governador Ricardo Coutinho. Agora terão que, literalmente, tragar goela a baixo o PMDB e sua postulação puro sangue com Vital Filho candidato a governador e José Maranhão a senador. Inclusive, a Executiva Nacional do PT impetrou, no TRE, petição que desautoriza petistas a se aliarem ao PSB. Mas, dirigentes estaduais do PT rolam pelas redes sociais declarando guerra ao PMDB e apoio ao governador Ricardo Coutinho. Esse filme, nós já assistimos. O PT vai, como sempre, dividido para a eleição, submisso aos interesses de outros partidos. Os outros partidos seguiram disputando o PT. Por causa do PT? Não, por causa daquele tesouro que ele esconde em algum lugar. Agora, partidos maus e feios lutaram até a morte por esse tesouro. Salve-se quem puder!

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