quarta-feira, 30 de maio de 2012

JOSÉ NÃO QUER APOIAR O CANDIDATO W.


Ontem eu analisei como atores políticos e seus partidos podem tomar caminhos iguais, mesmo que seus interesses possam ser pontualmente diferentes. Ou, dito de outra forma, como eles podem tomar caminhos diferentes mesmo que façam parte de uma mesma estrutura partidária. 



Nos últimos dias acompanhamos alguns pré-candidatos a vereador mudando de palanque eleitoral a revelia de seus gostos e interesses. Eu explico.



Um candidato a vereador (vamos chamá-lo de José), pertencente ao “partido A”, tem como estratégia de campanha apoiar o “candidato X” a prefeito. Acontece que a direção do partido de José negocia o apoio com os candidatos W, Y, X e Z para prefeitura de uma cidade que chamaremos Campina Grande mesmo.



Como a negociação se estabelece na base do “toma-lá-da-cá” e perdura por dias a fio, a cada novo dia nosso intrépido candidato José acorda em um novo palanque. Num dia o partido de José trata com o “candidato Y”. Em troca de certa quantia e de cargos no 2º escalão de um futuro governo lhe garante apoio. O partido de José até anuncia a decisão tomada e José muda de palanque. Fica decidido que ele vai apoiar o “candidato Y”. Mas, ele não tem tempo nem para reclamar.



Noutro dia o “partido A” faz um acordo mais vantajoso para apoiar o “candidato W”. Subirá em seu palanque em troca de dinheiro para a campanha e de duas secretarias no governo municipal se, claro, W for eleito prefeito. José, que preferia apoiar o “candidato X”, é obrigado a mudar novamente de palanque. Decidem, sem consultá-lo, que ele vai apoiar o “candidato W”.



José diz que não quer apoiar o “candidato W”, que já tinha feito até um acordo com o “candidato X”. Ele reclama, grita, briga e vai para a imprensa chorar suas mágoas. Como o partido de José não nutre afeições pelos procedimentos democráticos, determina que ele tem que seguir a orientação do partido e apoiar o “candidato W”. José não aceita. Continua na imprensa a reclamar, a dizer que está desiludido com a democracia, que a política é uma sujeira só. E ameaça ir para a justiça.



A direção do partido dá a ele, democraticamente (?) duas alternativas. Uma, seguir a orientação dada. Outra, ser expulso do partido e ficar sem legenda para disputar a eleição. José engole seco. Aceita a imposição e muda suas estratégias de campanha. Mas o estrago foi feito. As arestas ficam para numa nova eleição virem à tona.



Este, meus amigos, é o jogo que está sendo jogado neste exato momento. Um jogo onde as motivações ideológicas inexistem. Onde o que vale é o jogo do “toma-lá-da-cá”. Neste jogo podemos ver o partido impondo sua vontade para os filiados e podemos ver um único dirigente partidário impondo sua vontade para o partido inteiro.



Este é um jogo anti-demcrático em todos os seus quadrantes. Nele não existem discussões em torno de ideias e projetos. Impera a vontade de poucos em torno de interesses localizados. Em geral, a maioria se submete a vontade da minoria como vimos ontem nos casos do PT e do PRB



Neste jogo o que conta são os tais minutos que um partido leva para a coligação. Os cargos que serão distribuídos e, claro, o tal vil metal. Se você é ou quer ser um candidato, como José, avalie se vale mesmo a pena entrar num jogo onde, como diria cazuza, seus sonhos serão vendidos tão baratos que você não vai acreditar.



Por fim, Arquimedes, eu devo dizer que qualquer coincidência de nossa realidade com o conteúdo dessa coluna não é mera coincidência.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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