sexta-feira, 25 de maio de 2012

VOCÊ ACREDITA NA DEMOCRACIA? PRELEÇÕES PARA UMA ELEIÇÃO PRÓXIMA – PARTE II.


Nosso processo eleitoral evoluiu com dificuldades. Em 1960, na última eleição presidencial antes do golpe de 64, seis milhões de eleitores votaram. Na eleição seguinte, 29 anos depois, foram 120 milhões de eleitores. Crescíamos quantitativamente enquanto desaprendíamos a votar.



Em 2004, os eleitores entre 16 e 18 anos foram cerca de três milhões e os entre 18 e 25 anos vinte e dois milhões. Quantos amadureceram para participarem de uma eleição? Tradicionalmente a democracia é vista como um sistema que, dentre outras coisas, permite que se escolha aqueles que podem decidir. Sua essência seria a de que os cidadãos poderiam substituir seus representantes ruins por outros que fossem melhores.



Já se disse que a “a democracia é a oportunidade do povo de aceitar ou recusar seus governantes”. Devemos nos contentar com isso? Não, é muito pouco. Mas, se não consolidarmos nem isso, como avançaremos para um sistema mais sólido, que impeça que o momento pré-eleitoral se contamine pelas tais negociatas?



Hoje, o impeachment de Collor já é assunto dos livros didáticos, a ditadura parece coisa de um passado distante e as eleições acontecem a cada dois anos.O que nos falta é ter a política como algo que orienta as relações sociais. A política não é algo exclusivo dos atores e partidos políticos. Pela educação, não pela força, nosso passado autoritário deve ser revisto. Que se use a “Comissão da Verdade” para isso.



Na ditadura, Educação Moral e Cívica, Organização Social e Política do Brasil e Estudos dos Problemas Brasileiros constavam nos currículos escolares para afirmarem as ideia e interesses do regime militar. E eram subvertidas por professores que driblavam a censura e o medo para ensinar outras coisas para seus alunos.



Foi assim que muitos, como eu, puderam ter acesso às coisas da filosofia, da política, da história, da sociologia. Além da música, da literatura e das artes em geral. Devo isso aos meus queridos professores subversivos. Sem eles, talvez eu estivesse, hoje, achando que a terra fosse quadrada ou que o homem nunca foi à lua.



Se você se lembra disso, é porque é menos jovem do que os que vão votar pela 1ª vez este ano. A vantagem é que pode vir a contribuir num processo de educação política. Se não estamos em uma ditadura e temos liberdade de expressão por que não utilizar os espaços devidos para educar para a cidadania? Por que não ensinar para que servem a República, os poderes e suas funções, as eleições e os partidos, os direitos e os deveres, o papel da imprensa, etc?



É preciso munir o jovem para que ele entenda o funcionamento da democracia e possa valorizá-la como algo útil para a sua existência. Somos chamados a educar os jovens para a cidadania e para a pluralidade democrática, senão ficaremos sempre a perguntar: você acredita na democracia?

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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