sexta-feira, 24 de outubro de 2014

COM QUANTOS FATOS SE FAZ UMA ELEIÇÃO?















Faltam dois dias para a eleição do 2º turno. A indefinição quanto ao resultado das eleições permanece, mas temos alguns fatos acontecendo, ou por acontecerem, que podem ajudar a definir o cenário ou terminar por confundi-lo de vez. O TSE resolveu combater a baixaria promovida pelos candidatos. Por baixaria, entenda-se a situação em que limites éticos, morais ou estéticos são desrespeitados. O TSE quis fazer uma verdadeira cirurgia plástica na propaganda eleitoral. Como a suprema corte eleitoral tem mais é que zelar pelo bom andamento do processo, aparou minutos do guia eleitoral, de Dilma e Aécio, na vã tentativa de conter os ânimos dos candidatos. A ideia era trazê-los para o lugar onde a insanidade não tem vez.

Certo, o TSE está cumprindo seu papel. Mas, porque tão tardiamente? Porque só intervir no vale tudo eleitoral na última semana de campanha? O presidente do TSE, Ministro Dias Toffoli, parece mesmo não acreditar na eficácia das medidas. Ele até propôs que o TSE fique em sessão permanente, até à tarde do sábado, de forma que possa julgar aqueles recursos de última hora, provenientes da veiculação das últimas propagandas eleitorais que irão ao ar ainda na sexta-feira.  Dias Toffoli disse que possíveis direitos de resposta podem ir ao ar no sábado à noite, i.e., poucas horas antes das urnas serem ligadas. Para o ministro este mecanismo seria um “detector de metais, caso os candidatos decidam ir ao baile do risca-faca”.

Dias ToffoliÉ temerário que o TSE use seu “detector de metais” apenas nos últimos momentos antes do portão do baile da democracia ser fechado. Imaginem se um candidato consegue veicular um último direito de resposta já na metade da noite do sábado? Imaginem se este direito de respostas tiver conteúdo altamente explosivo? O que poderá acontecer a partir das 08 horas da manhã do domingo? Não seria mais prudente que as atividades de campanha midiáticas fossem encerradas na sexta-feira à noite? Esse ativismo da justiça eleitoral não incentivaria candidatos e partidos, derrotados nas urnas, a buscarem um terceiro turno judicial? Num país de instituições políticas tão frágeis, às vezes é melhor fechar o portão do baile do risca faca de uma vez só.

O Datafolha da quarta viu Dilma avançando sobre as classes C e D, onde está mais de um terço do eleitorado brasileiro, e viu Aécio perdendo pontos. Foi exatamente neste setor que Marina começou a perder sua vaga para o 2º turno. O Datafolha viu que Aécio manteve seus bons percentuais nas classes A e B e que Dilma estacionou neste setor. Isso pode nos dar alguma pista, porque as classes sociais do Brasil fazem suas escolhas eleitorais a partir do bolso. Nunca esqueçamos que existem variáveis como inflação, crescimento econômico e desemprego que costumam corroer capitais eleitorais. Mas, o Datafolha viu que 50% dos eleitores de Dilma acreditam que a economia vai melhorar.

Viu que 08% são pessimistas quanto à saúde de nossa economia, que 36% acreditam que o desemprego vai cair e 43% que a inflação cai também. Interessa ver que esses percentuais quase se repetem entre os eleitores de Aécio. O dilema eleitoral pode mesmo vir a se resolver pelo viés econômico. O Datafolha viu a rejeição de Aécio subir, de 37% para 41%, e a de Dilma descer, de 49% para 45%, nos municípios com mais de 500 mil habitantes. Isso importa, pois sabemos bem que são nos grandes e médios centros urbanos onde está o grosso do eleitorado. O staff de Aécio aposta muito no debate da Rede Globo de logo mais a noite. O que se avalia é que o formato do programa, com aquelas intermináveis idas e vindas entre o palco e o assento dos candidatos, favorece Aécio por ser mais jovem do que Dilma.

O marqueteiro de Aécio, Paulo Vasconcelos, diz que o senador leva vantagens no gestual e na desenvoltura. João Santana, marqueteiro de Dilma, até reconhece isso, mas lembra que a força de sua candidata está no conteúdo que ela consegue apresentar. No debate a correlação entre conteúdo e forma existe. Mas, vão longe os dias em que debate resolvia eleição. É que indeciso que se preza não se deixa convencer por um debate. No Brasil, indeciso que é indeciso vai com suas dúvidas até a urna. Em Goiás, temos a insegurança eleitoral de sempre. O TRE indeferiu o registro da candidatura de Antônio Gomide (PT) ao governo do Estado. Mas, o indeferimento não impediu que ele disputasse o 1º turno, quando obteve 10% dos votos válidos.

A questão, claro, vai rolar pelos tribunais. O problema é que se a candidatura de Gomide for mesmo inválida seus votos se tornam nulos, favorecendo o candidato a reeleição Marconi Perillo que alcançaria a metade mais um dos votos válidos ainda no 1º turno. Do contrário, se a candidatura de Gomide for mantida, o 2º turno entre Perillo e Iris Rezende deve mesmo acontecer. Isso tudo não seria problema se não estivéssemos a apenas 48 horas da eleição. Assim, o eleitor vai às urnas sabendo que sua decisão pode ser revertida nos tribunais. Isso gera insegurança institucional e faz o eleitor não confiar no sistema politico eleitoral que temos. Assim o eleitor se pergunta para que, afinal, deve votar?

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