quarta-feira, 8 de outubro de 2014

TURNO NOVO, MESMA ELEIÇÃO.

Eu não sei se o caro ouvinte notou que a presidente Dilma não pôs os pés na pequena e heroica Paraíba na campanha eleitoral desse 1º turno. É que os arranjos e desarranjos da política local impediram Dilma de ter um bom palanque em nosso Estado. O imbróglio entre o PMDB de Vital Fº e José Maranhão, o PSB de Ricardo Coutinho e o PT de todas as cores resultou na esdrúxula situação onde o PT de Dilma apoiava Ricardo, aliado de Marina, e o PMDB fazia a campanha de Dilma em solo paraibano. Mas, para alívio geral de nove entre dez políticos paraibanos, Marina Silva não se classificou para o 2º turno. Foi bom para Cássio Cunha Lima que poderá contar com Aécio Neves em sua campanha, sendo a recíproca verdadeira.

Se Marina tivesse ido ao 2º turno, Cássio ia ter uma plantação inteira de abacaxis para descascar. É que Ricardo carregaria Marina pela Paraíba a fora e para Cássio sobraria apoiar Dilma, coisa que o tucanato paulista não aceitaria por nada deste mundo. Sem Aécio no 2º turno, Cássio não teria uma candidatura presidencial para chamar de sua. Imagine se os eleitores campinenses, de Cássio e Aécio, aceitariam, agora, votar em Dilma? É óbvia a comodidade de Cássio tendo Aécio no 2º turno. Ricardo deve ter ficado bastante aliviado com a derrota de Marina. Agora, ele poderá se abraçar com Dilma para acariciar os irmãos Cartaxo, em João Pessoa, e o PMDB de Vital e Maranhão. Ricardo não estava à vontade com Marina e suas contradições.

Vejam que ele quase não falava em Marina no 1º turno. Ricardo só assumiu que apoiava Marina depois de ter sido interpelado por Tarcio Teixeira em um debate de televisão. Convenhamos, nosso governador se sente a vontade mesmo é com Dilma. Existe a possibilidade real e imediata de Marina Silva declarar apoio a Aécio Neves. O PSB já tem formalizada uma aliança com o PSDB, em São Paulo, por exemplo. Em todo caso, Ricardo estaria dispensado desse apoio devido às especificidades paraibanas. Ricardo, também, não vai ficar esperando que Marina resolva suas indecisões e contradições, até porque o tempo urge já que o 2º turno é logo ali no dia 26 de outubro. Além do mais, Marina deixou de se referir ao PSB com a derrota do domingo passado.

 
Eu tenho como princípio jamais apostar em resultados eleitorais, mas apostaria o dedo "mindinho," de minha mão esquerda, sobre o voto de Ricardo para presidente. Eu duvido que nosso governador tenha votado em Marina Silva domingo passado. Com Marina fora do jogo, coordenadores da campanha de Dilma entraram em campo para obter o apoio de Ricardo. O vice-presidente Michel Temer já conversou com Vital do Rêgo para que este apare de uma vez as arestas com o PT e o PSB da Paraíba. O fato é que agora, no 2º turno, a verdade das coisas partidárias vai ser reestabelecida. O PMDB foi até o TSE, tentando tirar o PT da coligação de Ricardo, por quase nada. Para que mesmo que os petistas fizeram todas aquelas reuniões e assembleias?

É que até os pombos da Praça da Bandeira de Campina Grande e os macacos e jacarés do Parque Arruda Câmara, em João Pessoa, sabiam que, num 2º turno, PT e PMDB se realinhariam para reproduzir, na Paraíba, a aliança nacional. Algo me diz que isso ficou acordado naquele momento, nada republicano, em que os partidos e atores políticos paraibanos montaram suas coligações e definiram suas candidaturas. É que os políticos costumam brigar em público e dialogar nos bastidores. Eu não quero menosprezar, mas a política paraibana não tem, e nunca teve, força para embolar as articulações dos grandes partidos em nível nacional. PMDB e PT vão deixar de lado suas querelas, pois agora se trata de ganhar ou perder o governo.



Dilma, Lula e Michel Temer devem estar sinalizando para seus aliados paraibanos que agora não mais se trata de privilegiar seus interesses mais comezinhos. José Maranhão, que teve um PMDB inteiro a sua disposição, conseguiu se eleger senador. Agora, é hora de pagar as devidas faturas. Tanto é que Maranhão foi chamado a Brasília para que as articulações se definam em torno do apoio a Ricardo e de um sólido palanque para Dilma na Paraíba. É que, num 2º turno de vida e morte entre Dilma e Aécio todo voto pode decidir o jogo. A Paraíba com seus 2. 834.782 eleitores pode vir a ser o fiel da balança. No 1º turno, Dilma teve 1.166.632 votos na Paraíba. Aécio teve 490.516 e Marina teve 393.390.

Dilma e Aécio virão, sim, a Paraíba para fazer o trabalho de manutenção dos votos adquiridos e buscar conquistar os eleitores que Marina Silva deixou órfãos. Claro, Cássio e Ricardo podem realizar um trabalho de transferência de votos. Cássio, inclusive, tem garantido sucessivas vitórias para os candidatos a presidente do PSDB em Campina Grande. Em João Pessoa existe uma espécie de tradição em consagrar vitórias para o PT desde os tempos do Lula Lá. O fato é que nunca antes na história eleitoral da Paraíba a eleição estadual esteve tão dependente da eleição presidencial e vice-versa. Cássio e Ricardo, se forem inteligentes, devem colar suas imagens a de seus candidatos a presidente. Nesse momento, o isolamento estadual torna-se um suicídio político.

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