terça-feira, 7 de outubro de 2014

E O JOGO CONTINUA...

Se você é um dos que chegou a pensar que não teríamos 2º turno nas eleições para o governo do Estado da Paraíba, que Cássio Cunha Lima ou Ricardo Coutinho conseguiriam ter 50% + 01 dos votos válidos, não precisa, agora, se sentir mal com isso. É que, no domingo, esta foi uma possibilidade plausível enquanto acompanhávamos a apuração dos votos. Em alguns momentos, víamos claramente a possibilidade da eleição na Paraíba se resolver já no 1º turno. É que a diferença de Cássio Cunha Lima, que ficou em 1º lugar, para o 2º colocado, Ricardo Coutinho, foi de apenas 28.388 votos ou 1.39% dos votos válidos. Cássio teve 965.397 votos, ou 47.44%, e Ricardo teve 937.009 votos ou 46.05%.

Para que você tenha claro que essa diferença de votos pode ser desprezível, basta ver que dos 36 deputados estaduais eleitos domingo, apenas 10 obtiveram das urnas menos de 28 mil votos. É bom atentar, também, para o fato de que essa diminuta diferença de 1.39% foi menor do que qualquer uma das margens de erro, apresentadas pelos Institutos de pesquisa que aferiram as intenções de votos na Paraíba, durante a campanha do 1º turno. Chamar a diferença entre Cássio e Ricardo de empate técnico só se for pela força do hábito. De fato, tivemos um empate literal, matemático, eu diria que tivemos um empate físico. Mas, isso é algo para se surpreender? Não, nada a estranhar, se considerarmos que Ricardo apresentou, nos últimos 30 dias de campanha, uma curva ascendente nas pesquisas, enquanto Cássio permanecia numa curva estacionária, ela não descia e muito menos subia.

O desempenho quantitativo de Vital Filho foi tão chinfrim que ele não conseguiu ganhar em um único dos 223 municípios da Paraíba. Apenas nos municípios de Água Branca, Alagoa Nova e São José dos Ramos, o senador do PMDB conseguiu ficar em 2º lugar. Em todas as outras 220 cidades paraibanas, Vital ficou sempre em 3º lugar. Nós sabemos bem que Vital não entrou nessa eleição para ganhar, mas precisava ter um desempenho tão ridiculamente ruim? Os frágeis desempenhos do Major Fabio, de Tárcio Teixeira e Antônio Radical nas urnas confirmaram a tese de que Ricardo nunca esteve tão só em se tratando de somar percentuais visando o 2º turno. Daí não se deve negar os méritos do governador. No início da campanha, ele patinava em torno de 20 pontos percentuais.  Ter chegado à reta final da campanha, do 1º turno, com 46% foi um mérito para Ricardo. Apesar de que é bom lembrar que quem tem a máquina do governo leva lá suas vantagens. É lógico que não existem diferenças entre o candidato/governador e o governador/candidato. A diferença entre Cássio e Ricardo foi irrisória e isso só piora a avaliação que fazemos sobre o desempenho quantitativo das candidaturas de pequena estatura. Vejam que a soma dos votos do Major Fábio, de Tárcio e Radical (26.329 votos) é menor do que a tal diferença de 28.388 votos.

Tudo nessa eleição foi simetricamente bem disputado. Vejam que Cássio ganhou em 124 municípios da Paraíba e Ricardo ficou em 1º lugar nas outras 99 cidades. Em quase 70% dos 223 municípios a diferença não foi maior do que 3 mil votos. Cássio e Ricardo não decepcionaram em seus redutos eleitorais. Em Campina Grande, Cassio teve 63.854 votos a mais do que Ricardo. Já em João Pessoa o governador obteve uma vantagem sobre o senador de 76.253 votos. Em Campina Grande, Cássio teve 59.82% dos votos válidos. Já na capital do Estado, Ricardo teve 56% dos votos válidos. Quando olhamos para os maiores colégio eleitorais da Paraíba vemos Ricardo com uma considerável vantagem sobre Cássio. O governador ganhou em seis dos dez maiores colégios eleitorais que temos.

Além de João Pessoa, Ricardo venceu em Bayeux, Cabedelo, Patos, Sousa e Cajazeiras. Ou seja, o governador demonstrou força em duas grandes mesorregiões da Paraíba, o litoral e o sertão. Nestes seis municípios, ele obteve 431.409 votos. Cássio venceu em Campina Grande, Sapé, Guarabira e Santa Rita. Nestas cidades, o senador teve 392.481. Qual a importância desses dados? É que ganhar nos principais colégios eleitorais pode ser a diferença entre a vitória e a derrota no dia 26 de outubro. Vejam que Ricardo ganhou nas 3 principais cidades do sertão (Patos, Sousa e Cajazeiras).  Em Patos, o governador contou, e deverá continuar contando, com o decisivo apoio do PMDB. Isso, inclusive, é um indicador do que pode vir a acontecer, pois, e ao que tudo indica, o PMDB vai mesmo engolir seco e se rejuntar ao PT que já vem com o governador Ricardo desde o começo da campanha.

Muitos dizem que o 2º turno é uma nova eleição. Na verdade, ele é a 2ª parte, digamos assim, de um processo que iniciou lá trás. Prefiro não chamar de nova eleição, pois muito do que já tivemos vai se repetir, em que pese algumas variáveis novas, como a redefinição de apoios e o fato de que agora só temos duas candidaturas com tempos iguais no Guia Eleitoral. Por hora, a principal questão é saber para onde vai o pêndulo do PMDB. O senador Vital Filho obteve 106.162 votos que seriam nada não fosse a minguada diferença de 28 mil votos entre Cássio e Ricardo. O PMDB vai, sim, apoiar um dos dois. Vital e José Maranhão vão anunciar muito em breve qual das duas candidaturas apoiarão. Agora, Vital é a cobiçada noiva desse processo eleitoral, pois se ele transferir, para aquele que vier a apoiar, algo em torno de 30% de seu capital eleitoral, pode decidir a eleição. Esta semana é definidora em termos de acordos e apoios. Cássio vai de Aécio Neves para presidente e Ricardo vai de Dilma, depois do fracasso de Marina, e porque o PMDB segue firme com a presidente. Mas, não temos uma clara ideia de quem apoia quem em se tratado de deputados estaduais e federais eleitos. Aguardemos, pois.


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