DIRETAS JÁ!

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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

DILMA – A ANATOMIA DE UMA VITÓRIA.

Se a final da apuração dos votos da eleição presidencial, no domingo passado, tivesse sido como uma final de Copa do Mundo, com direito a prorrogação e pênaltis, ainda assim teríamos tido mais emoções. Quem disse que a política não pode ser empolgante? É que com a diferença de fuso horário entre as regiões Norte/Nordeste e Sul/Sudeste, além do horário de verão, o TSE adotou a estratégia de só liberar os dados da apuração quando toda a votação já tivesse sido encerrada em todo o país. Fazíamos, aqui neste estúdio da Campina FM, a cobertura da apuração da eleição estadual, sabíamos que a apuração nacional estava sendo feita, mas não acessávamos os dados. Ouvíamos o canto da sereia, sem saber ao certo onde ela estava.


Quando finalmente o TSE liberou os dados, quase 90% dos votos tinham sido apurados, mas mesmo assim ainda não se podia afirmar quem seria o eleito. Só foi possível ter certeza que Dilma Rousseff estava reeleita com quase 98% dos votos apurados. Foi um processo difícil, como de resto à própria campanha eleitoral. Vejam que os três principais candidatos (Dilma, Aécio e Marina) estiveram sempre naquela estreita fronteira onde para ir do céu ao inferno basta dar um pequeno passo. Aécio Neves, que obteve quase 49% dos votos válidos, que esteve virtualmente eleito em boa parte da apuração, chegou a pensar em desistir de sua candidatura, entre agosto e setembro, quando a marolinha de Marina Silva parecia um tsunami.


Entre março e setembro Dilma liderou quase todas as pesquisas, mas isso não nos diz muito, pois quando chegou o 2º turno a ameaça de uma derrota era real e eminente. Ainda me pergunto como Dilma pode ganhar e/ou como Aécio pode perder? É que a conjuntura política e econômica era tão desfavorável que nem o petista mais otimista afirmava com certeza absoluta que Dilma ganharia. A máxima de James Carville, assessor de Bill Clinton, “É a economia, estúpido!”, nunca esteve tão em voga. Dilma enfrentou uma campanha com a inflação em alta lhe pesando as costas. Ela não conseguia ser otimista, no guia eleitoral, pois seu Ministro da Fazenda, Guido Mantega fazia tábula rasa de uma crise econômica que afeta a todos, o Brasil inclusive.


Quando, no guia eleitoral, Aécio Neves perguntava às donas de casa se elas percebiam a alta dos preços, ao irem ao supermercado, a estrela vermelha se balançava toda. O marqueteiro de Aécio foi tolo em não querer usar o efeito James Carville. Ainda houve a tragédia do Mineirão, quando a “copa das copas” foi soterrada pela montanha de gols que a Alemanha fez no Brasil. A sorte de Dilma é que a vergonha foi tão grande que todo mundo quis esquecer logo, inclusive a oposição. Claro, tinha, ainda tem, os problemas advindos do fato de que os partidos brasileiros, o PT, inclusive e principalmente, não conseguem atuar unicamente na faixa da legalidade. Quando começou a jorrar da Petrobras toda a sujeira a oposição se aproveitou.


Aliás, se aproveitou, mas sempre com algum receio, pois quem tem mensalão de vidro não pode atirar pedras no mensalão alheio. Aliás, foi por esse viés que Dilma pode ter um de seus melhores momentos nos debates. Quando Dilma disse que, em seu governo, pessoas do seu partido tinham sido condenadas e que os tucanos envolvidos em escândalos de corrupção estavam todos soltos, deu prova inequívoca que as manchetes da Revista Veja são pouco confiáveis. Esse foi um dos grandes trunfos de Dilma nesta eleição. Ao contrário de Lula, a presidente conseguiu convencer boa parte da população sobre sua seriedade e sinceridade quando o assunto é corrupção.


 
Aquele jeito de “mãezona durona” passou credibilidade para boa parte da população. E isso não sou eu que estou dizendo, são as pesquisas qualitativas manuseadas pelo marqueteiro de Dilma. Claro, não podemos negar a força dos programas sociais, principalmente o “Bolsa Família” e o PRONATEC. Dilma venceu bem no Norte/Nordeste porque são nos estados dessas regiões onde o governo mais investe em programas sociais. A despeito do que pensa a elite quatrocentona de São Paulo, o povo reconhece em Dilma a efetivação desses programas. Dilma ia quase sempre mal nos debates ao ponto de ter tido uma oscilação em sua pressão arterial em um deles. Com aquelas pausas intermináveis, e uma certa gagueira, Dilma conseguiu, ao seu modo, passar credibilidade.


João Santana, marqueteiro de Dilma, descobriu que é melhor deixar os defeitos a mostra do que tentar escondê-los. Ao se mostrar inteira, Dilma reforçava o arquétipo da “mãezona durona”, mas se apresentava real, humana, igual aos eleitores. Claro, a entrada, mesmo que tardia, de Lula na campanha agregou o valor que se esperava. Quase 40% dos votos de Dilma ainda são fruto da transferência de seu mentor politico. Coisa que Dilma não nega, pelo contrário, agradece. No FLA X FLU entre PT e PSDB Dilma se diferencia não apenas por ser mulher, mas por mostrar uma firmeza, que beira ao autoritarismo, incomum no mundo masculinizado da política. Pois é, bem vinda sós vos, Dilma, entre os homens.


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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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