domingo, 26 de outubro de 2014

HOJE É A FESTA DA DEMOCRACIA? NÃO, HOJE É O DIA DA ELEIÇÃO!


Hoje é domingo, é dia de eleição. Alias, não seria melhor que a eleição acontecesse em outro dia da semana? Pois domingo é um dia para ficar em casa, com a família, descansando. O domingo existe para que fiquemos desacelerados nem que seja torcendo para que ele acabe logo. Não que eu não goste de votar. Na verdade, não se trata de gostar ou não. Trata-se, de realizar um direito, eu diria mesmo cumprir um dever. Certo, mas hoje é domingo e tem eleição. Estamos agora nos preparando para ir às urnas. Para votar é preciso não esquecer algumas coisas. Primeiro, claro, ninguém pode deixar de levar consigo o titulo de eleitor.

É preciso não esquecer que hoje vamos escolher as pessoas que vão executar nossos interesses e direitos, além de nossos deveres. É sempre bom lembrar que nosso sistema político dá aos eleitos uma liberdade de ação inimaginável. Por isso eu sugiro que você, caro ouvinte, guarde num lugar seguro aquela colinha que levou para votar. Procure não esquecer, pelos próximos quatro anos, em quem votou. É que se você não lembra em quem votou como vai poder cobrar alguma coisa de alguém. Eu sei que muita gente prefere mesmo é esquecer em quem votou por ter vendido o voto a um candidato desqualificado. É que corrompido e corruptor sabem bem que estam fazendo algo errado, então é melhor esquecer.

É que na relação de compra e venda do voto, aquele que vendeu é tão responsável quanto o que comprou. Imagine quando você entra num supermercado para adquirir um iogurte. Após efetuar o pagamento, este produto pertence exclusivamente a você. Ao pagar, você adquiriu o direito de fazer o que bem quiser com ele, inclusive derramá-lo na pia de sua cozinha. Quando você vende seu voto para um político esta fazendo uma transferência de propriedade, assim como o iogurte que se compra. O político pode fazer o que quiser com os votos que pagou para ter, até jogá-los fora depois de eleito. Se você já vendeu seu voto, paciência. Se ficou a noite passada, pelas calçadas, esperando que viessem comprar seu voto, não adianta fazer mais nada.
 
Aos olhos do politico que comprou seu voto você não representa absolutamente mais nada. Se você trocou seu voto por um saco de cimento, por tijolos, remédios e consultas médicas, por gasolina, ou seja lá o que for, saiba que ele está perdido. O comprador fará com seu voto o que bem quiser. E, lamento informar, pelos próximos quatro anos você não poderá fazer nada. Não adianta reclamar, dizer que todo político é ladrão. Vai ter que esperar a próxima eleição para, quem sabe, adotar outra postura. Se você conseguiu 200 ou 300 votos para um candidato em troca de um emprego público, de um cargo de assessor ou mesmo de substancial quantia em dinheiro aí, não tem jeito, não dá para saber se nesta relação você é vendedor ou comprador.

Se você é do tipo de eleitor que não vende o voto e que já sabe bem em quem vai votar, além de estar consciente de sua escolha, ótimo, isso é muito bom. Fossem todos os eleitores como você, teríamos um sistema político robusto e respeitável. Se você está, ainda, indeciso não precisa se preocupar ou mesmo se culpar, pois é melhor ter dúvidas, ficar indeciso, do que votar no primeiro político que bateu a sua porta. Estar indeciso não é ruim. Significa que você oferece o benefício da dúvida aos candidatos. E, cá entre nós, tem que ser assim mesmo, pois vamos entregar o cofre de nosso Estado e do nosso país para um desses candidatos, então se permita as dúvidas que bem quiser.

 

Na eleição vale a regra do trânsito que diz na dúvida não ultrapasse. Se você segue com dúvidas, se os candidatos não foram capazes de tirá-las, na urna tem opção para o eleitor indeciso. Quando você sair de casa, em direção ao seu local de votação, poderá ver homens armados, com roupas verdes, camufladas. Não se preocupe, eles não estam indo para uma guerra. É que nossa democracia é tão frágil que precisa da força para se sustentar. Eu tenho uma sugestão.  Afaste-se dos que encaram a eleição como uma festa, pois amanhã eles terão esquecido tudo que aconteceu hoje. Convém evitar contato com os que dependem da vitória de um candidato para sustentarem a si e a sua família.

Como eles estam lutando pela sobrevivência são capazes de tudo. Eles podem ficar raivosos se, por exemplo, perceberem que o candidato deles vai perder a eleição. Esse tipo de eleitor encara a eleição como uma luta de vida e morte. Eu sei que dar um conselho é coisa de grande responsabilidade. Mas, eu vou correr o risco. Não discuta com quem quer que seja porque esta pessoa votou em um adversário de seu candidato, pois os adversários de hoje podem ser os aliados de amanhã. Nunca, nunca mesmo, discuta com um idiota, por causa do resultado da eleição, pois ele lhe fará descer ao nível dele e, por certo, ganhará a parada por ter bem mais experiência do que você.

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AQUI É O POLITICANDO, COM GILBERGUES SANTOS, PARA A CAMPINA FM.

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Este foi um dos últimos artigos que publiquei: “SOMOS TODOS UM BANDO DE ARAMIS". Neste artigo analiso porque somos avessos à consolidação de nossa democracia. Discuto a contradição de praticarmos procedimentos democráticos enquanto cevamos um ancestral saudosismo de nosso passado ditatorial. Sugiro refletirmos sobre o paradoxo de parte da sociedade usar a liberdade de expressão para pedir um regime que pode acabar com ela. http://www.paraibaonline.com.br/colunista/santos/9920-somos-todos-um-bando-de-aramis---parte-i.html

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